Como adoptei o veganismo – 5 passos infalíveis

Depois de pelo menos dois anos a tentar e a falhar miseravelmente tornar-me vegana, consegui finalmente eliminar consistentemente os produtos animais da minha dieta. Embora haja um longo caminho pela frente ainda, estou entusiasmada por me sentir assente no meu novo estilo de vida sem carne e produtos derivados.

Antes de mais, permitam-me que declare aqui que não sou nutricionista ou especialista em tipo algum de alimentação ou nutrição. Sou simplesmente uma cidadã comum que, por acaso, gosta muito de legumes e fruta. Portanto, aconselho-o a fazer a sua própria pesquisa e tomar decisões informadas.

Para mim, o ponto de viragem foi a implementação do IVA em Angola. Da noite para o dia, o custo da comida disparou e continuar a consumir alimentos cuja origem eu questionava perdeu todo o sentido.

Usando isso para apanhar o balanço final, decidi que era altura de levar o veganismo a sério e desta vez não voltaria atrás. Para que o plano desse certo, estes foram os passos que adoptei e sugiro que experimente também:


1. Saiba porquê que quer ser vegano

porquê ser vegano

Não importa qual é a sua motivação principal, mas aconselho que teste a sua legitimidade. Não o faça pelos outros, mas por si e pelo que acredita.

Para mim, quando comecei a ter algumas leves questões de saúde, a luz vermelha acendeu-se. Comecei a questionar o que se passava com o meu corpo, até que um dia ouvi alguém dizer “tu transpiras o que comes” e foi o que me levou a fazer um teste. Tentei cortar apenas a carne vermelha e uma semana depois já conseguia sentir a diferença.

Ao informar-me mais sobre como a carne vermelha chega ao nosso prato, percebi que há pessoas a passar fome para eu ter um bife no prato. Pensei: “Se eu deixar de consumir carne, a fome tornar-se-á uma catástrofe rara”. Demasiado idílico, eu sei, mas gosto da forma como tal pensamento me atingiu.

Razões financeiras estão em terceiro lugar na minha lista de ‘porquê adoptar o veganismo’. Há este mito de que o veganismo é caro, pois os produtos de qualidade ainda têm pouca demanda.

Posso dizer-lhe que isso é verdade, tanto quanto é caro para um ser humano omnívoro comer carne de primeira. Ou seja, depende do que quer consumir, aonde compra e em que quantidades. Dito isso, desafio-lhe a fazer uma feijoada vegana e a comparar os custos à uma feijoada convencional.


2. Faça a sua pesquisa e prepare-se para ficar chocado

pesquiza sobre veganismo

Esta é a parte que não vai gostar, mas é crucial para que compreenda as consequências do consumo de produtos animais. Não vou entrar em pormenores traumatizantes, mas sugiro que consulte as seguintes fontes:

Livros:

  • Veganismo: as muitas razões para uma vida mais ética, de Robson Fernando de Souza
  • Tudo Sobre o Veganismo: Descubra Por Que é Mais Saudável, de Rodolfo Silva
  • Guerreiro Vegano: Domine Os Segredos Do Veganismo Sem Comer Carne Como Um Guerreiro Espartano, de Monica Stevenson

Documentários:

Websites:


3. Simplifique o processo

veganismo

Não há necessidade de reinventar a roda. Use ingredientes que já conhece, copie receitas ou até “veganise” os seus pratos favoritos.

Tudo o que eu fiz foi ir ao YouTube e salvar todos os planos de refeições veganas semanais que consegui encontrar. Para mim, as mais práticas são as que me dão três receitas para cada um dos sete dias da semana. Só tenho de passar 2-3h a cada quinze dias a preparar as minhas refeições e no dia em que as vou comer demoro 5-10min a ter tudo pronto.

Também procurei por YouTubers Brasileiros (a Vegana Bacana é a minha favorita) devido às semelhanças gastronómicas e ao acesso aos ingredientes. Isso foi o que fez toda a diferença desta vez, pois antes procurava receitas em geral, e só as receitas com ingredientes norte-americanos ou europeus apareceriam. Era um pouco frustrante, pois os ingredientes são raros em Angola e, se os encontrasse, seriam caríssimos.


4. Comece devagar

Eu sei que depois de ver um documentário ou de ler um dos livros recomendados pode sentir-se super entusiasmado para embarcar no veganismo de vez. No entento, pular de uma só vez pode ser um tiro no pé, especialmente se for actualmente um grande consumidor de carne. Não se trata apenas de si, mas também do seu corpo. Ele tem a sua própria memória e desejos e eles não desaparecerão da noite para o dia.

Para mim, o que tem funcionado é cortar um grupo de produtos por mês. Ou seja, em Janeiro cortei a carne vermelha, em Fevereiro cortei a carne branca, em Março eliminei os lacticínios, e agora em Junho de 2020 tenho me focado nem não comer absolutamente nenhum produto animal.

Na realidade, com os planos de refeições semanais 100% veganos acabei por consumir vegano a maior parte do tempo, dando-me permissão de consumir produtos animais que não estivessem na lista dos eliminados. Mas queria ir devagar, porque é assim que a consistência funciona para mim. Além disso, se eu dissesse ao meu cérebro que já não me era permitido comer nada vindo de outro animal, ele iria focar-se apenas em trair-me.

Pode começar por ter um dia vegano por semana e aumentá-los gradualmente. Pode ter uma semana de pequenos-almoços somente veganos e depois escalar para almoços e jantares. O seu ritmo é uma decisão sua.


5. Encontre a sua tribo

Sim, obtenha algum apoio! Junte-se a grupos online, crie o seu próprio ou, melhor ainda, encontre uma comunidade de carne e osso que partilhe as suas batalhas consigo e dê dicas inestimáveis sobre como fazer com que facilite o seu processo.

Apesar de o meu companheiro de vida não ter adoptado o veganismo, ele respeita e apoia a minha decisão. Por sorte, uma das minhas irmãs e a minha mãe decidiram repensar também a sua dieta alimentar e agora estamos juntas nisto. Depois de publicar algumas fotos das minhas refeições veganas no Instagram, descobri que alguns dos meus seguidores já eram veganos ou estavam numa fase avançada de transição.

Como pode ver, por vezes só é preciso partilhar com a pessoa certa e uma tribo nasce de uma pequena semente.

A mudança é difícil e dar o primeiro passo é mais fácil de falar do que de fazer, mas se é isso que quer, siga o seu caminho. Ainda vai ter algumas recaídas e a sua vida social vai sofrer algumas transformações. Porém, concentre-se em manter as suas crenças e valores, e viva a vida que deseja para si próprio.

Enquanto isso, não se esqueça de ser um péssimo infeliz.

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