Como evitar não ser pago como freelancer

Creio que um dos maiores receios do trabalhador autónomo é não ser pago pelos seus clientes a tempo e horas, ou mesmo não ser pago de todo.

Infelizmente, na realidade angolana isso é mais comum do que devia, e não só a nível dos profissionais independentes, mas também entre empresas, o que demonstra quão enraizada esta prática está.

Tendo eu, em pouco mais de 4 anos, trabalhado com mais de 60 clientes, entre individuais e corporativos, só tive essa experiência com 2, resultando numa taxa inferior a 4% de pagamentos não recebidos.

Assim sendo, resolvi partilhar consigo as práticas que tenho usado para evitar não ser paga, enquanto freelancer.

1. Peça o pagamento adiantado

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Entenda que você tem a liberdade de atribuir um valor ao seu produto/serviço e de cobrar de forma integral ou faseada para fornecê-lo, independentemente do estágio de carreira em que se encontre.

Para isso, aconselho-o a ter um portfólio em dia, recomendações de entidades conhecidas, se possível, ou até um website que permita ao cliente avaliar por ele mesmo as suas competências e se você é o que ele deseja.

2. Defina as condições de pagamento claramente

É crucial que tanto você quanto o cliente estabeleçam os termos e condições da vossa relação profissional logo de início. Faça perguntas directas como ‘qual é o seu orçamento para este serviço/produto?’.

Pergunte também quando é que ele costuma efectuar pagamentos, principalmente se for um cliente corporativo, para que consiga gerir as suas expectativas. Não se esqueça de deixar bem claro quais são as formas de pagamento que aceita e de mencionar alguma condição (ex.: multa, na eventualidade de atraso) na sua factura.

3. Saiba quem é o seu cliente

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Você tem o poder de dizer ‘não’. A escolha de trabalhar para a pessoa A ou B é inteiramente sua, e quanto mais experiência eu ganho como autónoma, mais eu percebo o quão importante essa escolha é.

Pergunte sempre ao cliente como é que ele chegou até si e, no caso de sentir que pode ser uma entidade duvidosa, vá atrás de mais informação. Faça perguntas à pessoa que o indicou, tente perceber qual é o histórico de relações profissionais dessa pessoa/empresa.

Não seja invasivo, mas seja atento. Lembre-se que dinheiro nenhum vai lhe pagar um mau cliente e uma dor de cabeça na justiça. Use as ferramentas ao seu dispor para evitar não ser pago.

4. Seja persistente e registe as suas tentativas de contacto

Se cair na armadilha da cegueira e da ganância (já fui culpada disso, não se sinta mal) e acabar por trabalhar com um cliente que se recusa a pagar-lhe, a atitude seguinte chama-se persistência.

Entre em contacto regularmente e faça-o por escrito, de preferência, pois assim terá registos escritos das suas tentativas, que podem servir-lhe de provas, caso tenha de recorrer à justiça.

Honestamente falando, acho que recorrer à justiça, no nosso país, faz-nos perder mais tempo e dinheiro, por isso evito esse recurso. Porém, a maior parte das pessoas ou entidades não gosta de ver o seu nome manchado na justiça, por isso é uma opção a considerar para clientes caloteiros.

5. Confie no seu instinto

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Sei que pode soar místico e subjectivo, mas todos nós temos um sexto sentido e ele serve para nos salvar de armadilhas da vida. Lembro-me perfeitamente dos momentos em que aceitei trabalhar com os 2 clientes que nunca me pagaram e consigo ouvir o meu instinto a gritar ‘não aceita!’ ao mesmo tempo que eu disse ‘sim’.

Alimente e desenvolva a sua percepção sobre as pessoas, o ambiente e o contexto. Na dúvida, lembre-se que um negócio não fechado é melhor do que fazer um mau negócio. Sempre!

Conclusão

O mundo real nem sempre é a nossa definição do ‘ideal’. Pessoas e entidades de má índole existem, bem como situações que o deixam no prejuízo. No final, cabe à si gerir o que está sob o seu controle da forma mais astuta possível para evitar não ser pago.

E enquanto isso, não se esqueça de ser um péssimo infeliz.

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